Alimentação e Literatura: uma análise do romance O Cortiço (1890)

Autores

  • Clarissa Pesente Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Palavras-chave:

Alimentação, Literatura, Naturalismo, Aluísio Azevedo, O Cortiço

Resumo

O romance O Cortiço (1890) nos apresenta ricas e numerosas descrições de hábitos alimentares. O presente artigo tem como objetivo analisar qual são as funções que a alimentação exerce nessa narrativa. É prescrutada, em especial, a função de mediação entre elementos como corpo, temperamento, raça, meio e nação. A análise leva em consideração a presença desses elementos nos princípios filosóficos e literários europeus do século XIX e explora como Aluísio Azevedo mobilizou esses princípios na construção de uma interpretação da realidade brasileira.

 

Biografia do Autor

Clarissa Pesente, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Doutoranda em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Referências

A. R. (A Redação). Aluísio Azevedo: novas obras. A Semana, Rio de Janeiro, p. 3-4, 31 out. 1885.

AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. In: Aluísio Azevedo: ficção completa em dois volumes, 2 v. Organização de Orna Messer Levin. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 439-633.

AZEVEDO, Aluíso. O Cortiço. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1890.

BALZAC, Honoré de. Tratado da vida elegante: Ensaios sobre a moda e a mesa. Organização, apresentação, introdução e notas de Rosa Freire D’Aguiar. São Paulo: Penguin; Companhia das Letras, 2016.

BRAYNER, Sonia. A metáfora do corpo no Romance Naturalista: estudo sobre “O Cortiço”. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1973.

BROCA, Brito. Literatura e estômago. Letras e Artes – Suplemento de A Manhã. Ano 7, n. 259, 10 de outubro de 1952, p. 5.

CANDIDO, Antonio. De cortiço a cortiço. In:________. O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993.

CHALHOUB, Sidney. Trabalho, lar e botequim. O cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da Belle Époque. São Paulo: Editora Brasiliense, 1986.

COMTE, Auguste. Curso de filosofia positiva. In: ________. Curso de filosofia positiva; Discurso sobre o espírito positivo; Discurso preliminar sobre o conjunto do positivismo; Catecismo positivista / Auguste Comte; seleção de textos de José Arthur Giannotti; traduções de José Arthur Giannotti e Miguel Lemos. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

CUNHA, Newton. Os fundamentos filosóficos e científicos do Naturalismo. In: FARIA, João Roberto; GUINSBURG, Jacó (orgs). O Naturalismo. São Paulo: Perspectiva, 2017, p. 39-48.

EAGLETON, Terry. A ideologia da estética. Tradução de Mauro Sá Rego Costa. Rio de Janeiro: Zahar, 1993.

EAGLETON, Terry. Edible Ecriture. Times Higher Education, n. 24, oct. 1997. Disponível em: www.timeshighereducation.co.uk/features/edible-ecriture/104281.article.

EL-KAREH, Almir; BRUIT, Héctor. Cozinhar e comer, em casa e na rua: culinária e gastronomia na Corte do Império do Brasil. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, n. 33, jan.- jun. 2004, p. 76-96.

ENDERS, Armelle. A História do Rio de Janeiro. Trad. Joana Angélica d’Ávila Melo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Gryphus, 2015.

FRATINNI, Paula Caldas. Falar, pensar, olhar: três verbos da gastronomia balzaquiana. Revista Criação & Crítica, São Paulo, n. 18, jun. 2017, p. 51-64.

KASPAR, Katerina Blasques. Literatura e alimentação em José de Alencar. Revista Criação & Crítica, São Paulo, n. 18, p. 51-64, jun. 2017.

LIMA, Tania Andrade. Pratos e mais pratos: louças domésticas, divisões culturais e limites sociais no Rio de Janeiro, século XIX. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 3, jan./dez. 1995, p. 129-191.

MÉRIAN, Jean-Yves. Aluísio Azevedo: vida e obra (1857-1913). O verdadeiro Brasil do século XIX. Rio de Janeiro: Editora Espaço e Tempo, 1988

RAINHO, Maria do Carmo Teixeira. A distinção e suas normas: leitura e leitores dos manuais de etiqueta e civilidade – Rio de Janeiro, século XIX. Acervo, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1-2, jan.- dez. 1995, p. 139-152.

RENTERÍA, Enrique. O sabor moderno: da Europa ao Rio de Janeiro na República Velha. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

RICHARD, Nathalie. Analogies naturalistes: Taine et Renan. EspacesTemps, n. 84-86, 2004, p. 76-90.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: d. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil – 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1933.

SHAHANI, Gitanjali G. Introduction: Writing on Food and Literature. In: SHAHANI, Gitanjali G. (Ed.). Food and Literature. Cambridge: Cambridge University Press, 2018.

SICOTTE, Geneviève. Une petite histoire du motif du repas au XIXe siècle. Textyles: Revue des lettres belges de langue Française, n. 23, 2003, p. 10-19.

ZOLA, Émile. O romance experimental e o naturalismo no teatro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1982.

Downloads

Publicado

27.06.2022

Como Citar

Pesente, C. (2022). Alimentação e Literatura: uma análise do romance O Cortiço (1890). Escrita Da História, 2(16), 229–256. Recuperado de https://escritadahistoria.com/index.php/reh/article/view/282